15 de mai. de 2026

371)QUANDO AS FRATURAS SE TORNAM VISÍVEIS

Há cerca de dois anos, comecei um projeto que, naquele momento, parecia maior do que minhas próprias possibilidades de organização, disciplina e coragem intelectual.

Como acontece com muitas coisas da vida, ele avançou entre pausas, interrupções, desvios, retornos e recomeços. Houve períodos de intensa escrita. Houve semanas de silêncio. Houve momentos em que os livros pareciam caminhar sozinhos. Em outros, eu mesmo já não sabia exatamente para onde eles me levavam.

O interessante é que certas ideias têm paciência. Elas aguardam. E foi assim que nasceram os três livros que agora formam A Trilogia das Fraturas Humanas: “Abismos Globais”, “A Parte Justa” e “Governança Global”.

Embora independentes entre si, os três livros dialogam como vizinhos de uma mesma inquietação. Aos poucos, percebi que todos giravam em torno de um tema comum: as fraturas humanas do nosso tempo. As fraturas entre países ricos e pobres. As fraturas entre o capital e o trabalho. As fraturas entre uma humanidade cada vez mais interdependente e a dificuldade de coordenar coletivamente o próprio destino.

Vivemos uma época curiosa. Nunca estivemos tão conectados tecnologicamente e, ao mesmo tempo, tão divididos econômica, política e socialmente. As grandes tensões do mundo deixaram de ser apenas assuntos diplomáticos ou acadêmicos. Elas passaram a frequentar a mesa do jantar, as redes sociais, os supermercados, as migrações, o clima, o emprego, a solidão e até a esperança das pessoas comuns.

Talvez por isso eu tenha insistido tanto nesses temas ao longo desses dois anos. Não para oferecer respostas definitivas, pois desconfio cada vez mais delas, mas para tentar compreender melhor as contradições do nosso tempo. Escrever, afinal, também é uma forma de perguntar. Talvez seja essa a verdadeira função de um livro, qual seja, a de não encerrar discussões, mas abri-las.

Ao concluir essa trilogia, tenho a sensação de quem termina uma longa travessia intelectual e humana. Foram muitos textos, leituras, anotações, pesquisas na internet, nos livros que tenho, revisões, gráficos, dúvidas, mudanças de rumo e incontáveis conversas silenciosas comigo mesmo diante da tela do computador.

Agora os livros seguem seu próprio caminho. E eu os entrego aos leitores com humildade, curiosidade e esperança de que possam provocar reflexão, diálogo e inquietação, porque, às vezes, compreender o mundo já é o primeiro passo para transformá-lo.

Maiores detalhes sobre os três livros estão disponíveis na coluna direita deste blog.

 

Edson Pinto

Maio, 2026 

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