Há cerca de dois anos, comecei um
projeto que, naquele momento, parecia maior do que minhas próprias
possibilidades de organização, disciplina e coragem intelectual.
Como acontece com muitas coisas da
vida, ele avançou entre pausas, interrupções, desvios, retornos e recomeços.
Houve períodos de intensa escrita. Houve semanas de silêncio. Houve momentos em
que os livros pareciam caminhar sozinhos. Em outros, eu mesmo já não sabia
exatamente para onde eles me levavam.
O interessante é que certas ideias têm
paciência. Elas aguardam. E foi assim que nasceram os três livros que agora
formam A Trilogia das Fraturas Humanas: “Abismos Globais”, “A
Parte Justa” e “Governança Global”.
Embora independentes entre si, os três
livros dialogam como vizinhos de uma mesma inquietação. Aos poucos, percebi que
todos giravam em torno de um tema comum: as fraturas humanas do nosso tempo. As
fraturas entre países ricos e pobres. As fraturas entre o capital e o trabalho.
As fraturas entre uma humanidade cada vez mais interdependente e a dificuldade
de coordenar coletivamente o próprio destino.
Vivemos uma época curiosa. Nunca
estivemos tão conectados tecnologicamente e, ao mesmo tempo, tão divididos
econômica, política e socialmente. As grandes tensões do mundo deixaram de ser
apenas assuntos diplomáticos ou acadêmicos. Elas passaram a frequentar a mesa
do jantar, as redes sociais, os supermercados, as migrações, o clima, o
emprego, a solidão e até a esperança das pessoas comuns.
Talvez por isso eu tenha insistido
tanto nesses temas ao longo desses dois anos. Não para oferecer respostas
definitivas, pois desconfio cada vez mais delas, mas para tentar compreender
melhor as contradições do nosso tempo. Escrever, afinal, também é uma forma de
perguntar. Talvez seja essa a verdadeira função de um livro, qual seja, a de
não encerrar discussões, mas abri-las.
Ao concluir essa trilogia, tenho a
sensação de quem termina uma longa travessia intelectual e humana. Foram muitos
textos, leituras, anotações, pesquisas na internet, nos livros que tenho, revisões,
gráficos, dúvidas, mudanças de rumo e incontáveis conversas silenciosas comigo
mesmo diante da tela do computador.
Agora os livros seguem seu próprio
caminho. E eu os entrego aos leitores com humildade, curiosidade e esperança de
que possam provocar reflexão, diálogo e inquietação, porque, às vezes,
compreender o mundo já é o primeiro passo para transformá-lo.
Maiores detalhes sobre os três livros
estão disponíveis na coluna direita deste blog.
Edson Pinto
Maio, 2026

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