1 de abr. de 2009

73) BOAS NOVAS!


Depois dessa sucessão sem precedentes de escândalos políticos no país - e veja que não me refiro exclusivamente aos detectados com mais estardalhaço na era Lula, pois tal já vem acontecendo desde há muito - agora nos chegam essas boas notícias que, sinceramente, enchem-me de incontida alegria:

Leio aqui na primeira página do meu jornal diário que a Polícia Federal agiu com total competência, zelo extremado e correta discrição para apurar todas as falcatruas de gente muito próxima ou mesmo de dentro do poder. Não se deixou influenciar pela coloração partidária dos envolvidos, nem feriu os princípios constitucionais de respeito à liberdade, efetuando somente escutas telefônicas autorizadas de forma legal. Esse feito permitiu ao Ministério Público, corretamente, identificar os desmandos administrativos e indicar à Justiça, sem deixar qualquer possibilidade de questionamentos, os verdadeiros responsáveis pela gigantesca malversação que se praticava contra o erário. Melhor ainda, essa gente sem escrúpulos já está vendo o sol nascer quadrado e com isso se acostumando, pois terão que vê-lo desta forma por décadas.

E mais na primeira página, porém em coluna da direita: Embora ainda não concretizado, contudo já devidamente encaminhado, os poderes da República se deram conta de que precisavam administrar suas atividades como se fossem empresas, respeitando seus clientes (contribuintes) e imaginando-se num mercado competitivo onde reduzir custos é condição “sine qua non”. Tanto o Senado como a Câmara dos Deputados tiraram das respectivas folhas de pagamento milhares de nomes de “funcionários fantasmas” e com isso conseguiram cortes da ordem de 50% de seus custos. Diferentemente do ocorrido no passado, as recomendações de empresas de consultorias contratadas para diagnóstico e proposta de reestruturação administrativa dos órgãos públicos estão sendo acatadas “in totum”. Já se vislumbra até uma redução da carga tributária, sabidamente uma das maiores do mundo, como conseqüência da redução do custo do governo. Há de sobrar recursos para investimentos em infra-estrutura e em áreas importantes como saúde, educação, habitação e segurança. Deus seja louvado! Não me contive.

A agradável surpresa não se limitou ao que acima descrevi. Outra coluna bem ao pé da página menciona que, com a reforma política já aprovada, conseguiremos eliminar definitivamente a possibilidade de que maus políticos se perpetuem no poder. Doravante, somente pessoas de ilibada conduta e com comprovada vocação para a boa política poderão se candidatar a cargos eletivos. Imaginei-me já ouvindo discursos dos novos grandes líderes, todos ao estilo do probo Rui Barbosa ou de Cícero, o magistral tribuno do Senado romano: “Oh tempora, oh mores!”

No rodapé da página uma última nota que me deixou, de fato, cheio de orgulho de ser brasileiro, foi a informação de que o Bolsa Família havia sido transformado, com muito sucesso, no honrado programa chamado de Bolsa Trabalho. Este, dando não mais esmolas, mas pagando salários dignos para que os desassistidos se sentissem pessoas dignas e úteis à sociedade e assim pudessem auferir renda decente como recompensa a trabalhos que ajudam no crescimento do país.

Como a alma “deverasmente” ensaboada, quarada, lavada, torcida, enxaguada, alvejada, secada, passada e engomada, como diria o nosso saudoso Odorico Paraguaçu, virei a página.

Na página seguinte e em letras garrafais a expressão:

1º DE ABRIL, SEU TROUXA!


Edson Pinto
1º/abril/2009

26 de mar. de 2009

72) IN MEDIO VIRTUS


Adeílson, vindo de um rincão qualquer do país chegou à cidade litorânea com o firme propósito de vencer na vida. Homem de poucos estudos, no entanto esforçado e atento observador das oportunidades que surgiam ao seu redor, decide que ficaria rico vendendo cerveja na praia.

Com os poucos recursos que tinha, comprou a sua primeira caixa de cerveja e no primeiro final de semana de seu plano vendeu todas com bom lucro. No final de semana seguinte comprou 2 caixas e também obteve o mesmo êxito. Semanas sucessivas até que Adeílson já estava vendendo 50 caixas de cerveja por final de semana e as reservas financeiras aumentando. Já morava “melhorzinho” e o filho freqüentava a escola, sonho que Adeílson não pôde dar a si mesmo, mas, orgulhosamente, transferira para aquele que era sangue de seu sangue.

Numa determinada semana Adeilsinho diz: __ Pai, estudei a previsão do tempo e vi que nos próximos finais de semanas choverá muito e em conseqüência a praia ficará vazia. Adeílson que tinha absoluto respeito pelo progresso escolar do filho aceita a sua orientação e encomenda somente 2 caixas de cervejas para aquele final de semana. Dito e feito. Choveu torrencialmente e as vendas foram um fracasso. Adeílson volta com 1 caixa cheia para a casa. O filho tinha razão, e o pior, o mesmo aconteceria nas próximas semanas.

O distribuidor local da cerveja, um homem com longa passagem pelos bancos escolares e com a cabeça cheia de teorias mercadologias e empresariais, afoitamente conclui que a crise econômica mundial tinha chegado forte ao seu negócio, pois os vendedores de cerveja na praia estavam reduzindo drasticamente as compras. Cancela todos os seus pedidos já colocados com o fabricante e projeta trabalhar com um estoque bem menor dali pra frente. Além disso, demite vários empregados, corta o cafezinho, suspende as horas-extras e vende alguns caminhões entre outras medidas que o seu PAC (Plano de Acompanhamento da Crise) lhe impôs.

__ Agora pai, diz Adeilsinho, as previsões do tempo indicam seguidos finais de semana com muito calor. As praias ficarão lotadas. Adeílson vê a grande oportunidade para retomar o próspero negócio e vai ao distribuidor para comprar logo umas 200 caixas de cervejas. Outros vendedores também vislumbram as boas perspectivas e acorrem com o mesmo objetivo. Conclusão: O distribuidor não tinha estoque para atendê-los. Ficaram, todos, sem o necessário suprimento para as vendas, e assim a cadeia comercial da cerveja, naquela localidade, perdeu o momento de fazer um bom dinheiro. Isso tudo, sem contar, que os turistas passaram a considerar não mais voltar àquela praia em que nem a sagrada loirinha gelada conseguiam comprar.

História simplesinha, mas que contém uma profunda lição sobre como funciona a economia e em conseqüência o que torna uma nação mais ou menos próspera e, portanto, mais ou menos feliz. Converta essa história do Adeílson para todos e quaisquer outros setores da economia e verá que tudo gira em torno da expectativa mantida sobre como será o futuro e das decisões que se tomam tendo em vista como melhor enfrentá-lo.

A Indústria automobilística brasileira que vinha de sucessivos recordes de crescimento se assusta com o tamanho da crise mundial e, em dezembro último, decide que seria necessário trabalhar com estoques menores. Mas, ao invés de ir reduzindo paulatinamente os níveis de produção e tomando, com mais freqüência e acurada atenção, o pulso da economia, logo opta por férias coletivas ampliadas, demissões, suspensão de encomendas a fornecedores e faz com que a produção caia em cerca de 40%. Estava instalado o pânico no mercado.

Passa janeiro, fevereiro e entramos março. Medidas tomadas pelo governo como a redução do IPI, a superação dos temores iniciais logo levam consumidores para as concessionárias em busca do desejado carro novo. Sabe o que está acontecendo agora? Faltam carros nos estoques das distribuidoras para diversos modelos e, de novo, formam-se filas para aguardar o recebimento do carro. Daqui a pouco, e se perdurar essa insensatez, podemos esperar por ágio e outras espertezas típicas de ambientes econômicos desorganizados.

Prudência é a palavra de ordem. Vale para tudo na vida, inclusive para as decisões de natureza econômica. “In medio virtus”, como Aristóteles, em Ética a Nicomâno, ensinou a seu filho, devemos sempre recordar que a virtude está no meio termo, na temperança, no equilíbrio e nunca nos extremos.

O dia em que os fundamentos da economia se mostrarem confiáveis, as autoridades reguladoras forem responsáveis, o empresariado privado e público e todos os demais agentes econômicos passarem a agir com a devida cautela, evitando os sobressaltos e as decisões extremas, as coisas poderão caminhar melhores e assim viveremos com mais calma e menos estresse.

Ou será que essas precipitações que desorganizam a vida do cidadão interessam a alguém?


Edson Pinto
Março’ 2009

16 de mar. de 2009

71) CÓPULA EXCOMUNGADA

Primeiro, Greespan com a sua prosódia indefectível
Pôs sobre a mesa o mais cru de todos os temores:
A exuberância irracional das mentes de amadores
A mostrar quimeras na forma de realidade possível.

Depois, o Lehman Brothers deu-nos avisos sinistros:
Quando espertos e incautos se unem em correntes,
Haverá sempre Madoffs, patetas e frouxos ministros,
A fazer do mundo festim orgíaco de inconseqüentes.

A América e o G7, de soberba e de inatacável pujança,
Vê sua gente sem emprego, sem teto, já mendigando.
Faltava resposta a essa débâcle de ordem tão leviana,

Até que ao cabo de mea-culpa, teorias e até pajelança
Wall Street, no bico do corvo, tudo o mais explicando,
Anuncia o responsável como a tal da Cópula Gaussiana:


Edson Pinto
Março’09

12 de mar. de 2009

70) REALIDADE OU PESADELO

Como as empresas vinham demitindo seus empregados aos milhares, milhões, estes correram aos bancos e - por absoluta necessidade - sacaram suas poupanças e zeraram suas contas correntes. Poupadores que tinham dinheiro aplicado, ao vislumbrar mais encrencas pela frente, se apressaram a sacar seus investimentos e dar-lhes destinos outros que, inocentes, imaginavam mais seguros. Por isso, os bancos ficaram sem lastro e assim começaram a aumentar as tarifas, suspender os financiamentos, provocar, marotamente, o trancamento das portas giratórias para clientes com cara de que iriam sacar, demitir e – como num dominó – cerrarem, um após outro, as suas portas.

Os supermercados e o varejo em geral deixaram de dar crédito, pois a inadimplência atingira níveis insuportáveis. Os desempregados, novamente aos milhões, deixaram de comer em restaurantes, de ir a cinemas, comprar roupas e calçados e até mesmo deixaram de adquirir o básico para a sua alimentação. Dessa forma, os restaurantes fecharam; também os cinemas, os açougues, as padarias. Vídeo locadoras, discotecas, salões de belezas e outras atividades não essenciais, essas, nem se fala...

A Indústria, o setor mineral extrativista, a Pesca e segmentos vários da economia desandaram a suspender investimento e, “demitir”, passou a ser a principal regra do jogo. E o pior, nenhum patrão tinha recursos financeiros para honrar as indenizações. As empresas aéreas, por pouco tempo, ficaram ainda transportando somente os deputados, os ministros e aquela gente graúda de Brasília, pois lá - diferentemente do resto do mundo - a crise ainda não havia se instalado inteiramente. Não que a arrecadação astronômica de impostos não tivesse caído. Caíra, sim, e de forma absurda. Porém, o governo seguia emitindo moeda e o fez abundantemente para que, pelo menos no Planalto Central, o clima de festa se mantivesse incólume.

Mas, quando os agricultores pararam de produzir por falta de financiamento e principalmente por falta de consumidores, aí o caldo entornou de vez. Ninguém tinha dinheiro para pagar a conta de luz, nem a da água, nem o condomínio do apartamento, nem a escola dos filhos, nem a passagem de ônibus, nem os alimentos dos supermercados, nada. Também, nem precisa, pois as empresas de eletricidade faliram, as de saneamento básico deixaram de tratar a água, as escolas fecharam, os ônibus pararam de circular por falta de combustível e os supermercados cerraram suas portas porque não tinham mais recursos para repor estoques e, o pouco que tinham, vinha sendo saqueado por hordas de famintos.

Foi quando Brasília se deu conta de que alguma coisa poderia estar indo para o lado errado. Mas, aí a crise chegou lá, também. Dona Marisa perde a criadagem e ela mesma começa a limpar (claro que mais ou menos, pois tinha perdido a prática) as vidraças do Alvorada. Deputados não conseguiam mais embarcar em aviões de carreira, custeado pelo erário, pois as empresas aéreas já tinham recolhido suas aeronaves. Embora fossem muitos os políticos e funcionários públicos que zanzavam de Brasília para o Brasil, não o era em quantidade suficiente para sustentar todas as empresas. O sistema aéreo, tal qual o transporte público terrestre, fluvial, marítimo e lacustre tinha falido.

Lula, então, grita para Dilma que o PAC já deveria ter resolvido todos os problemas da economia brasileira. Esta, “lisinha” pelo último botox aplicado, esclarece ao presidente que já de há muito o PAC tinha interrompido todas as obras. Faltou dinheiro, e o pior, as obras tinham perdido totalmente a razão de ser. Não tinha mais demanda para as ferrovias, nem carros para circular nas novas estradas, nem consumidores para a energia elétrica a ser produzida pelas usinas, nem motores suficientes para o etanol e o petróleo a serem colocados no mercado.

__ Mas, e o povo, o que está fazendo? Gritou, irritadiço, o presidente. __ Quem não morreu de fome, presidente, pontuou Dilma, está agora comendo a grama do próprio jardim, se tem a sorte de ter alguma. As pessoas estão consumindo as árvores de nossas florestas e de nossas ruas. Voltaram, os que puderam é claro, para a zona rural e tentam tirar da terra o possível para comer. __ Nossa vibrante economia, presidente, escafedeu-se! O PIB virou um "pibinho" e quer saber de uma coisa, gritou exasperada a mãe do PAC: __ Fui! E saiu apressada sem nem mesmo se lembrar de retocar a maquiagem, pois, convenhamos, isso também já não fazia mais sentido. 2010 tinha sido riscado de seu calendário.

Lula salta da cama, não só por ter-se despertado daquele tenebroso pesadelo, mas pelo fato de que um vento gelado (coisa rara em Brasília) entrava pela janela quebrada e sem manutenção, por falta de verba, despertando-lhe os mecanismos mais primitivos de defesa. Pura adrenalina...

Vaidoso como sempre, exclama para os bobs de dona Marisa, pois esta se encontrava totalmente entregue aos cuidados de Orfeu, o seu discurso mântrico por excelência: __ “Nunca na história deste país um presidente sofreu tanto em um só pesadelo, mas acordou feliz por saber que as coisas estão realmente ruins, mas que podem piorar ainda muito mais. Isto - concluiu em êxtase - me dá tempo de voltar para Garanhuns, são e salvo”.

__ Levanta Marisa! Arruma a tralha que aquele pau-de-arara que me trouxe para o Sudeste, em 1952, vai voltar para Garanhuns e não podemos perdê-lo.

Edson Pinto
Março’2009

2 de mar. de 2009

69) MISTÉRIOS DA MENTE

Não sei se, com exceção dos mistérios insondáveis do Universo, existe algo mais incompreensível do que a mente humana. Tão complexa e tão atrevida em querer governar o mundo, não consegue – como sobejamente provado - bem dirigir nem ao próprio corpo que a abriga, nem a si mesma.

Vivemos a ilusão eterna de que em algum momento nossas mentes se harmonizarão como o fazem os metais, as cordas, as madeiras, a percussão e os teclados de uma magnífica orquestra sinfônica. Mais do que uma ilusão, um sonho, uma quimera, um devaneio... Não deve ser por outra razão que nossos lobos rugosos se dobram e se desdobram em infinitos vai-vens para ocultar truques, artimanhas e matreirices que nos personalizam o comportamento. Por mais previsível que uma mente possa se mostrar, maior é o potencial de nos surpreender em algum e inesperado momento.

Até hoje, ninguém conseguiu bem entender o que se passou nas mentes dos Nardonis naquela fatídica noite em que a pequena Isabella foi lançada do prédio onde moravam. Quais processos comandaram mentes parricidas como as da angelical Suzane von Richthofen e a do bem comportado Gil Rugai? Não nos esqueçamos que até Nero matou Agripina, sua mãe. Paranóia? Seja lá o que for e o que a Psiquiatria possa nos trazer de explicações, jamais nos sentiremos confortáveis com os mistérios da mente humana. Só nos resta ficar ciscando aqui e ali a busca de alguma lógica que ao menos nos dê uma pista do porque as coisas são como são.

Nesse dias, fomos surpreendidos com a história burlesca, não fosse de fato trágica, da garota Paula Oliveira, 26 anos, protagonista de uma verdadeira ópera-bufa tupiniquim. Alegou ter sido atacada por “skin-heads”, na Suíça, onde mora, e que em conseqüência perdera os gêmeos que guardava no ventre. E para arrepio desta nossa sofrida nação que já alimenta desde os tempos de colônia, certo complexo de inferioridade, apresentou-se com o corpo cheio de rabiscos e inscrições que partiriam o coração de qualquer ser humano minimamente sensível. Preconceito? Xenofobia? Manifestações precipitadas de autoridades que buscam mais os votos da saloiada do que a busca serena da verdade passaram a dominar nossas mentes já confusas.

Logo que o assunto veio a publico, pensei: Isso está me cheirando muito estranho para as conclusões tão brevemente colhidas. Um tio da menina logo aparece na TV e solta o que para mim constitui-se no gonzo, ou seja, a dobradiça a sustentar e ao redor da qual gira o raciocínio que desenvolvi para o caso: O parente, tio, se me lembro bem, lamenta que a sobrinha, uma “executiva tão bem sucedida no exterior”, tivesse sofrido tão bárbara agressão. O lamento é correto e condoeria a qualquer um de nós. Chama-me, contudo, a atenção é a qualificação de “executiva bem sucedida” que pré-rotula para a garota algo que ela certamente teria dificuldade em confirmar na vida real.

Uma menina de 26 anos, tendo se bacharelado há poucos anos, nem OAB possuía, solteira, talvez por opção pessoal e não por imposição da empresa em que trabalha fora enviada para uma formação profissional em outra unidade no exterior. Admirável, é claro, a disposição dessa garota para viver alhures a procura de um ideal. Mas, convenhamos, há uma grande distância entre viver em um país de clima frio, pouco sol, outra língua, outra cultura, sem os pais e parentes por perto, sem amigos e dizer que isto significa ser “bem-sucedida”. No fundo, no fundo, a menina Paula sofria de solidão; devia questionar a si mesma sobre a validade da aventura que vinha experimentando; sentindo saudades de sua boa terra; amargurando conflitos internos apenas para que o titio e todos os que a viam do lado de cá, a tivessem na conta de uma “executiva bem-sucedida”, um gênio do Direito Marítimo brilhando na terra de cultura tão elevada.

Mera vaidade! A felicidade não está no brilho do cargo que alguém exerce, mas no prazer que se sente em viver bem a própria vida.

O folclórico jogador Viola, ainda marcando gols e se divertindo por aí, desistiu de uma carreira que poderia ser brilhante na Espanha porque – na sinceridade que lhe é marca registrada – disse não conseguir viver num país onde não se comia feijão. O que entendia por felicidade era muito mais simples (comer feijão) do que ser bem sucedido na carreira em outro país. Voltou feliz! Será que precisamos ser simplórios para sermos felizes, ou podemos racionalmente, inteligentemente e soberanamente procurarmos a felicidade ao nosso modo e não ao modo que os outros julgam como adequado?

Sempre fui muito crítico com a atitude de pais que querem fazer dos filhos astros nisso e naquilo talvez mais por vaidade pessoal do que pelo orgulho sincero de verem os filhos bem-sucedidos. Quantos jovens ao frustrarem as megalomaníacas expectativas dos pais não deformam seus comportamentos e passam a se sentir como inúteis fracassados? A vida é uma luta permanente e quem dela participa pode tanto ganhar como perder. Perder na vida, tal qual nos esportes, não deveria ser encarado como fracasso, mas sim como experiência adquirida. A bela canção de Gilberto Gil “Aquele Abraço” passa-nos a lição de que a vida é de cada um e não dos outros: “Meu caminho pelo mundo/Eu mesmo traço/A Bahia já me deu/Régua e compasso/Quem sabe de mim sou eu/Aquele Abraço!

A nossa confusa Paula de Oliveira certamente sairá dessa. Não sei com quantas cicatrizes nem em quanto tempo. Lições aprendeu e lições terá passado para seus alambicados parentes que andam confundindo carreira bem-sucedida com vida bem-sucedida. Mais importante do que dizer que a bacharel em Direito Paula Oliveira tem um cargo importante, numa empresa grande e num país de primeiro mundo é saber se a menina está feliz.

E – se não sabem – seria bom que soubessem que a felicidade pode estar em coisas tão simples como no feijão do artilheiro Viola.


Edson Pinto
Março’ 2009

20 de fev. de 2009

68) O ELO ROMPIDO

Como a vida havia passado rápida e produtiva para Salete! Mal deixara a adolescência e já realizava o sonho de formar com Luiz, seu amor juvenil, uma família cheia de filhos e de alegria. Tiveram quatro. A família tornou-se próspera, casaram-se os filhos, vieram os netos e aquela sensação de dever cumprido parecia marcar o norte da jornada de seu porvir.

A boa situação financeira e familiar lhe permitia, com plena justiça, afrouxar, agora, os laços que ainda a prendiam às lutas do passado, deixando-a voar como pássaro livre sobre o trigal maduro de sua vida. Merecia!

Mas, recônditas inquietações fustigavam-lhe a alma. E não era um fato recente. Alimentava, pacientemente, por décadas, o desejo - totalmente sem lógica do ponto de vista de seu espírito prático de mulher guerreira – porém plenamente justificável por razões anímicas de sua nobreza espiritual, de desvendar seu passado: doía-lhe o rompimento, ainda menina, do elo familiar, esse encadeamento necessário que responde ao ser humano as mais inquietantes de suas questões existenciais: De onde vim, quem sou e para onde vou?

Não havia como esquecer aquele momento em que, ainda menina - tinha lá seus nove anos, vira o pai abandonar a mãe na cidade grande, sem quaisquer outros parentes por perto, e sumir no mundo para nunca mais voltar. Teria o pai formado outra família? Teria irmãos, irmãs ou mesmo parentes com os quais se identificar? O mesmo sangue correndo em outras veias? Quem sabe pessoas a quem pudesse abraçar e chamar de meus?

Mesmo na necessidade de ser criada por uma outra família, quando ganhou outra mãe, Dona Sila, nunca deixou de assistir a mãe verdadeira que lutava arduamente pela sobrevivência. Também, nunca se esquecera daquela fotografia esmaecida pelo tempo e que registrava o seu batizado no município de Capela, em Alagoas, lá no longínquo Nordeste deste nosso país de dimensões tão colossais. Aquele retrato funcionava como um ponto de partida a ser, em algum momento de sua vida, explorado para conseguir o restabelecimento de sua gênese. Isto tinha que acontecer...

__ O senhor conhece uma usina de açúcar com o nome de Capricho no município de Capela? Perguntou Salete ao recepcionista do hotel em que se hospedara na cidade de Maceió e para onde se dirigira com o propósito de recompor um elo que faltava na corrente de sua vida. __ Ah, exclamou o homem enquanto coçava a cabeça, esforçando-se para se lembrar de mais detalhes. __ Olha Dona, tenho um amigo que tem contato com gente de lá. Se a senhora quiser, consigo o telefone dele. Começava ali a busca de Salete pelas suas raízes: O telefonema para a pessoa indicada resultara na identificação adequada de pessoas e do local para onde deveria se dirigir no dia seguinte.

Antes de chegar a Capela, o táxi pára no vilarejo de Pitimiju. E, como quase por encanto, surgi-lhe, tal qual na fotografia que mantinha guardada há tanto tempo, aquela igreja onde fora batizada. Remonta em sua memória, agora sobre o cenário real, a pose que Augusto e Cícera, seus pais, fizeram para ostentá-la, como um troféu, ainda bebê, naquele retrato que havia se constituído no mais importante documento de sua vida.

Foi só adentrar ao pequeno vilarejo e lá, de casa em casa, ia sendo levada pelos irmãos recém-identificados para conhecer um novo membro de sua família. Irmãos emocionados, sobrinhos, primos, gente das mais diferentes compleições físicas, gordos, magros, altos, baixos, que choravam, abraçavam e trocavam as caricias fraternais que a vida, caprichosamente e por tanto tempo, havia lhe negado. Todos os novos parentes, especialmente os irmãos e irmãs sabiam - por terem ouvido do próprio pai - já falecido, da existência da irmã Salete que ficara em São Paulo desde os longínquos anos 50.

Se algum sentimento de revolta houvesse para com o pai que nunca mais dera notícias, pelo menos lhe confortava o fato de que ele nunca a esquecera; jamais omitira sua existência e até mesmo alimentara nos outros filhos a possibilidade de um dia se encontrarem. Ele mesmo não conseguira realizar o acalentado encontro. Morrera devendo isso a si mesmo e aos filhos de seu segundo casamento. Salete, contudo, estava agora cumprindo por conta própria esse mister.

A jornada havia sido compensadora. A simplicidade e pureza de seus familiares de sangue tornaram a alma de Salete mais leve do que ela mesma poderia ter imaginado antes de ter empreendido aquela nostálgica e necessária viagem ao seu passado e à sua dimensão desconhecida. Faltava apenas conhecer uma irmã que, como ficara então sabendo, morava em Osasco já há muitos anos e em local não tão distante da casa de Salete. Décadas de proximidade física sem nunca terem se aproximado uma da outra.

Na volta a São Paulo vai à busca da última irmã que ainda lhe restava conhecer. __ Trabalha num restaurante aqui nas redondezas, informou uma de suas novas fontes. E lá foi ela em busca do contato.

__ O senhor poderia me chamar Diana que trabalha aqui em seu restaurante? __ Claro que sim, um momento! __ Diana, uma senhora está aqui a sua procura, gritou o homem em direção à cozinha. E então, uma simples senhora com um pano protegendo os cabelos se apresenta com olhar de espanto e pergunta: __ Quem é a senhora? Salete, igualmente surpresa, olha a irmã em detalhes e diz: __ Veja, somos fisicamente igualzinha, portanto... Nem precisou concluir. __ Você é minha irmã Salete de quem papai tanto falava! Abraçaram-se por longo tempo e limparam mutuamente as lágrimas roladas em abundância. Diana, com a simplicidade de mulher sofrida pela dura faina da vida, vira as costas e diz: __ Salete, agora tenho que voltar ao trabalho e dirigiu-se cabisbaixa para a cozinha do restaurante.

Agora o elo tinha se reatado. Salete se coloca à disposição dos irmãos para contatos futuros. Mas o tempo passa, passa, passa e o silêncio permanece perturbador como antes. As suas almas haviam se reencontrado e se identificaram plenamente, mas a vida diferente de cada um prevaleceu determinando o mesmo distanciamento de décadas de isolamento.

Para Salete estava recomposto o elo que tornava a sua vida um tanto fluida, um tanto desconexa. Mas havia a nova família, seu marido Luiz, seus filhos e netos. Esta, sim, era a verdadeira corrente para a qual a sua vida valia ser continuada. Um elo recuperado, a alma aliviada e a vida seguindo o caminho de sempre...

Edson Pinto
Fevereiro’ 2009

12 de fev. de 2009

67) O JOGO DO CONTENTE (fev'09)


Quanto ao fato de que a crise econômica mundial já tenha chegado ao Brasil, penso, ninguém de bom senso a esta altura do campeonato tem qualquer dúvida. Ou estou enganado? Não é, lamentavelmente, a marolinha que o presidente Lula quis nos fazer imaginar que fosse. Ela é dura mesmo, muito se assemelhando ao tsunami que ninguém gostaria de enfrentar.

Já começamos a ter fatos concretos que nos demonstram com absoluta clareza que a crise circula desenvolta entre nós: A Balança Comercial apresentou déficit mensal pela primeira vez em 8 anos; A Indústria nunca demitiu tanto quanto em dezembro e continua a fazê-lo em janeiro e fevereiro. Finalmente, o índice de inadimplência no comércio não pára de crescer. Isso, só para citar algumas das conseqüências mais visíveis de como a crise já se instalou forte em nosso próprio quintal.

A escritora americana Eleanor Porter inaugurou em 1913 uma série de publicações em torno da figura de Pollyanna, uma menina encantadora que teria encontrado ao longo de sua vida um modo de se obter a felicidade em tudo o que lhe ocorria, mesmo quando o fato se lhe apresentava desagradável. Aplicava Pollyanna o chamado “jogo do contente” aprendido com seu pai antes de ir viver na casa de sua sisuda e rigorosa tia Polly.

O jogo do contente consiste em um recurso psicológico para se encontrar algo que torne a pessoa feliz em qualquer situação em que ela se encontre. Exemplos da própria Pollyanna: Ela se julgava feliz por não se chamar Pollyannnnna (com esse montão de n’s). Se isso fosse a realidade, argumentava ela para si mesma, teria muito trabalho e chateação para escrever e divulgar o próprio nome. Por isso, ficava feliz por ter o nome grafado com apenas 2 n’s. Punida pela tia por uma pequena falta que cometera, Pollyanna deveria jantar somente pão e leite na companhia da empregada Nancy na cozinha da casa e não com todos na sala de jantar. Pollyanna vê intensa felicidade naquela punição, pois adorava pão e leite e além do mais se dava muito bem com a empregada Nancy. O jogo do contente consiste, como aqui demonstrado, em iludir os próprios sentimentos para considerar-se feliz. Teste você mesmo em seu dia-a-dia e depois conclua se funciona ou não...

Feita essa digressão filosófico-juvenil, permito-me avançar um pouco naquilo que há de bom e no que, também, há de mau em assumirmos permanentemente uma postura exageradamente otimista e feliz como o praticado no “jogo do contente” de nossa Pollyanna: Parece-me válido que procuremos sempre ver se existe de fato um lado bom a se contrapor à face rude da realidade que nos desagrada. Temos, contudo, de considerar, se ao fazermos do jogo do contente uma panacéia para todos os nossos incômodos, não caímos no extremo do conformismo fácil, abandonando a necessária visão critica e matando o estímulo para a atuação tão necessária à nossa dignidade.

Proponho, com efeito, encontrarmos um meio-termo ao ceticismo radical daqueles que, de um lado, nunca se contentam com nada e de outro, com aqueles que candidamente praticam como Pollyanna o jogo do contente.

Nesta crise, por exemplo, há o lado ruim em que pessoas perdem seus empregos, empresas fecham suas instalações deixando de comprar, de pagar impostos e de investir. Planos pessoais de lazer e de estudos são adiados por falta de dinheiro para custeá-los e tantas outras coisas que deixamos de lado quando a fonte de nossas receitas seca ou ameaçar secar. Esta é a realidade nua e crua.

Pollyanna com o seu jogo do contente certamente verá nisso um lado bom. Poderemos aproveitar para refletir se não estamos vivendo de forma extravagante e desnecessária. Quantos gastos poderíamos abandonar? Quantas de nossas atitudes implicam em gastança apenas para mostrarmos o quão poderosos somos e assim impressionar o amigo, o vizinho ou a comunidade? Não há, pois como discordar de Pollyanna nesse caso. Ela está certa!

O que não podemos, é nos deixar acomodar felizes com a nova e dura realidade sem nos darmos conta de que precisamos também odiar a crise e tentar debelá-la com toda a força e empenho. Não fazê-lo, implica em aceitarmos um país mais pobre, gente simples tendo suas precárias condições de vida tornando-se ainda piores, aumento da criminalidade e aprofundamento do abismal fosso que divide o país entre uns poucos muito ricos e a sua maioria cada vez mais miserável.

Ao governo cabe criar condições que permitam aos agentes econômicos a livre atuação para a retomada do desenvolvimento. Deveria, também, o governo, deixar de alardear, como tem sido a prática, de que tudo anda bem quando, na verdade, o que se pode sentir é exatamente o contrário.

Ao considerarmos que, apesar de toda a crise que está morando conosco, mesmo assim o presidente Lula consegue, conforme última pesquisa CNT/Sensus, o seu mais alto índice de aprovação (84% de cidadãos felizes), só nos restar perguntar:

O jogo do contente praticado pelo governo Lula não só tem sido eficiente como, mais do que isso, tem sido assimilado pela maioria esmagadora de nossa gente?

e ainda:

Até que ponto o espírito de Pollyanna penetrou em nossas almas?

Edson Pinto
Fevereiro, 2009

5 de fev. de 2009

66) RADICAIS NUNCA RECUAM

Há muito não tenho visto na TV a deputada pelo Rio Grande do Sul, Luciana Genro, aquela jovem potencialmente bonita (desde que reformasse o penteado), de caráter e comportamento tão radicais que muito apropriadamente, e com a perfeição de uma luva, tão bem caiu nas mãos e hostes da não menos espalhafatosa, sistemática e desabusada ex-senadora Heloísa Helena. Como esta perdeu as últimas eleições, penso que a sua turminha de radicais, incluindo a trotskista Luciana Genro, é claro, encontra-se presentemente em leve ostracismo. Isto, contudo, não significa que nunca mais voltaremos a ouvir falar dela. Radicais ferozes com esses nunca desaparecem por completo. No máximo, fazem um recuo estratégico para recarregarem suas baterias e depois voltam com a carga completa. Anotem e aguardem...

Não é sem razão o fato de ter eu pinçado a figura da Luciana Genro para as considerações que farei do episódio que nessas últimas semanas tem tomado conta de boa parte do noticiário da imprensa brasileira e internacional. O nosso ministro da Justiça, numa decisão altamente polêmica, concedeu ao assassino italiano, Cesare Battisti, o status de refugiado político, negando, com efeito, o pedido do governo democrático da Itália para que a controvertida figura fosse extraditada e, lá em seu país, cumprisse a pena de prisão perpétua a que fora condenado pelo assassínio de quatro de seus concidadãos nos anos 70.

Mas, o que a deputada do PSOL tem a ver com essa questão? Política e juridicamente, nada. Para efeito, contudo, dessa minha análise tem, sim, tudo a ver. Explico melhor: Sempre me questionei o porquê daquela garota ser tão radical como nos parecia ao vê-la na TV. Imaginava eu - com a pureza de quem sempre se preocupou com o comportamento dos filhos - como o papai daquela “usina de rancores” ficaria triste por ver a filhinha ter crescido assim tão ranheta. Seria desamor? Sentimento de culpa por eventual ausência paterna durante a sua criação? Excesso de liberdade que a levou ao convívio com más companhias? Sei lá mais o que...

Só agora, finalmente, me dou conta de que a pobre da garota não poderia ter saído muito diferente do seu papai Tarso Genro, este, exatamente o ministro que concedeu ao arrepio das melhores e mais bem fundadas análises sobre o caso a concessão do status de refugiado político ao assassino Cesare Battisti. Se não bastasse vermos o que esse nosso ministro tem feito ao longo de sua gestão no Ministério de Lula, tente fazer uma pesquisa sobre o seu passado marxista, de homem turrão e radical birrento. A filhinha não poderia ser muito diferente, óbvio.

O que poderia ser diferente - e aí teríamos evitado o pior - seria o endosso dado pelo presidente Lula ao mais radical de seus ministros, esse Tarso Genro, da (sic) Justiça. Infelizmente, como todos já sabemos, o nosso presidente tem sido acometido de pirose retrosternal com conseqüente eructação ácida, a popular azia, quando lê as verdades que a imprensa publica, ao mesmo tempo em que demonstra ojeriza explicita a qualquer aprofundamento intelectual necessário ao adequado discernimento entre o bom e o mau para o país.

Errou Tarso Genro. Errou Lula. E para dar o tom completo da lambança, errou também o PT dando aos dois trapalhões a idiota cobertura para o sustento de tão infeliz decisão. Diga-se de passagem, uma decisão que só nos traz dissabores, denigre nossa imagem de país sério, compactua-se com a criminalidade, despreza o julgamento soberano e democrático da Corte italiana sem contar outros tantos prejuízos que nos causarão no âmbito da política externa brasileira. Por outro lado, lamentavelmente, nada nos dá de bom por concedermos essa generosidade para um terrorista que errou e pecou ao matar pessoas inocentes em seu país. E tudo acontece, exclusivamente, devido ao radicalismo de um ministro que – como está agora provado - não representa em nada o perfil de nós brasileiros.

Felizmente, temos certeza de que as autoridades italianas e seu povo devem saber distinguir o fato de que o comportamento de nossos dirigentes, neste caso Tarso Genro e Lula, não representa o real sentimento da nossa gente. Mesmo porque, historicamente, temos dado provas de que formamos uma nação solidária e boa. Já acolhemos aqui dezenas de milhões de italianos que fizeram do Brasil a sua nova pátria e aqui vivem e se incorporaram tão bem na nossa cultura.

Também, para a Itália, mandamos 25.334 dos nossos mais corajosos e destemidos jovens militares para, entre 1944 e 1945, ajudar no extermínio do Nazismo, libertando cidades italianas e aprisionando dezenas de milhares de soldados alemães como ocorreu nas batalhas de Camaiore, Monte Prano, Castelnuovo, Montese e Monte Castelo, onde saímos galhardamente vencedores. E, ainda lá enterramos, no cemitério de Pistóia, 443 de nossos jovens que perderam a vida nos campos gélidos da Itália para dar ao povo irmão a liberdade que merecia.

E mais, nossos jovens jogadores de futebol têm contribuído ao longo dos últimos anos para a manutenção do elevado nível desse esporte naquele país com o qual sempre tivemos laços fraternais. Penso não serem mais necessárias outras demonstrações concretas de nossa boa índole, concorda?

O episódio Cesari Battisti é um desastre não do Brasil, mas de alguns poucos brasileiros como os que citei acima. Se esses senhores tivessem ao menos a humildade de voltar atrás na descabida decisão que tomaram, ainda poderíamos passar a impressão de que temos alma. Erraram, mas reconheceriam o erro reformando a decisão para o bem de todos. Mas, não podemos nos esquecer que os radicais tendem a nunca voltar atrás. Um radical da estirpe de Tarso Genro quando encontra um superior excessivamente “senhor absoluto de si mesmo”, como o presidente Lula, jamais daria o braço a torcer.

Só nos resta o equilíbrio da nossa Suprema Corte para recolocar o tema no seu devido e mais do que necessário lugar. Esperemos que isto aconteça o mais cedo possível. Só não podemos esperar que a nossa jovem Luciana Genro venha a mudar, também, o seu comportamento radical, pois, infelizmente, isso é genético e a Ciência ainda não consegue alterar os pirracentos cromossomos que ela herdou de seu papai-cabeça-dura.


Edson Pinto
Fevereiro'09