28 de jul. de 2020

311) SAUDADE DO MEU MAVERICK


Em 1975 comprei um Maverick vinho, carro elegante, esportivo... Uma máquina poderosa, mas voraz consumidora de combustível.

Em 1978 decidi vendê-lo. Precisava ficar em linha com a mentalidade ecológica que em vigor na época. Veio o choque do petróleo com decorrente aumento astronômico do preço do combustível. Foi triste, no entanto, guardei a desconfiança que um dia tudo poderia ser diferente, para melhor, é claro...

20/04/2020, o petróleo, com contratos para fechamento em maio próximo, chega ao inacreditável, inimaginável, surreal valor negativo de US-37,63. É isso mesmo, valor negativo... Produtores de petróleo estão pagando para os compradores o levarem. Não têm capacidade de armazenamento e o melhor é pagar para se verem livres do excesso do ainda chamado “ouro negro”.

Aí lembrei do meu Maverick que bebia mais do que o Zeca Pagodinho. Tivesse-o, ainda, estaria agora na hora de - ao invés de gastar com combustível - ganhar uma graninha quanto mais rodasse pelas estradas deste nosso imenso País..
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Viram como neste mundo real em que vivemos não há nada que seja permanente, exceto, por ora, as leis de Newton?

Edson Pinto
20/4/2020

310) EXPLICANDO PARA MIM MESMO...


“Comigo me desavim (desentendi)
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim”
(Sá de Miranda)

Edson, por que o isolamento, também chamado de quarentena, é necessário para o enfrentamento do coronavírus?

Vou tentar explicar com números e exemplos, ok? Então siga meu raciocínio:

1) Suponha que o país X, muto bem organizado por sinal, tenha 1.000 leitos de UTI’s instalados. Cerca, apenas, de 10% deles, ou seja, 100 leitos constituem a reserva para eventualidades.

2) Surge uma nova pandemia, no caso a do coronavírus que leva à doença covid-19. Para evitar muitas mortes dos mais vulneráveis esse evento passa a exigir, repentinamente, 4.000 leitos adicionais de UTI’s durante 5 meses (20 semanas). Média de 800 leitos adicionais por mês.

3) A ciência já descobriu há tempos, que os surtos, epidemias ou pandemias grassam de forma irregular. No início do contágio, se nada for feito, lá pelas semanas 4, 5 ou 6 ocorre um pico que poderia, por exemplo, exigir, ao mesmo tempo, 2.000 leitos.

4) Obviamente esses leitos não existem. Mesmo que existissem, todo os demais componentes do sistema de saúde estariam esgotados. Não haveria médicos, enfermeiros, respiradores, equipamentos de proteção, remédios e outros prontamente disponíveis. Consequência: colapso total do sistema de saúde levando a enormes perdas de vidas que poderiam ser evitadas houvesse recursos adequados.

5) A arma inicial para enfrentar o inimigo é o isolamento. Com ele, dois resultados são esperados:

    5.1) a velocidade do contágio é reduzida devido ao brusco afastamento social. O pico é evitado.

    5.2) a redução das atividades sociais e econômicas minimiza eventos regulares que demandam leitos de UTI’s, liberando-os para uso dos casos graves de covid-19

6) Enquanto a população, ao máximo possível, se isola, o sistema de saúde é incrementado criando muito mais leitos, mais profissionais são envolvidos, mais respiradores, mais recursos são alocados para o enfrentamento da doença.

7) Findo o isolamento o sistema já está pronto para atender a nova demanda agora amenizada. Menos gente morrerá. A economia voltará gradativamente ao normal, talvez até mesmo mais vigorosa, mais pujante, mais criativa. É como o pós-guerra que cria oportunidades de crescimento nunca imaginadas.
 
Fui claro Edson?

Edson Pinto
4/04/2020

309) CÁ ENTRE NÓS...


Já imaginaram essa pandemia de COVID 19 tendo a Terra população idêntica à atual, isto é, 7,7 bilhões, porém sem a internet, sem as redes sociais, sem aplicativos de mensagens e outras maravilhas da informática e telecomunicações que já incorporamos ao nosso dia a dia?

Entre os séculos XIX e XX a Varíola matou cerca de 300 milhões; a Peste Negra, no século XIV, 50 milhões e a Gripe Espanhola, no início do século XX, outros 20 milhões.  E olha que o mundo tinha, em cada uma dessas épocas, bem menos gente.

Agora, dos 7,7 bilhões que somos, quantos pereceriam ou seriam afetados com essa nova doença de tão fácil transmissão? Tenho até repulsa em imaginar: dezenas de mihões, talvez...

Com a comunicação instantânea que temos hoje, ficou mais fácil prever, prevenir, orientar, trocar experiências, combater, enfim, o inimigo... Disso ninguém tem dúvida, em que pese o obscurantismo de gente que considera a situação como produto de imaginária conspiração indo contra a ciência e os fatos.

Saibam, existe um poder superior de um mundo de micro-organismos que vive de articular formas para extinguir a nossa espécie. Os vírus, as bactérias e outros são os alienígenas que nos espreitam com a foice da morte permanentemente afiada.

Viva, portanto, o WhatsApp, o Face Book, e seus congêneres. Eles nos permitem visitar, sem contato físico, nossos parentes idosos, solucionar nossas pendências externas sem sair de casa e outros. Ainda bem!

Edson Pinto
17/3/2020

308) DE COMO COISAS SIMPLES SE TORNARAM COMPLICADAS...


Não faz muito tempo – após uma refeição em qualquer restaurante – bastava pedir um cafezinho. Pronto! Nada mais brasileiro, mais simples, mais rápido, mais prazeroso...

No entanto, mudam-se os tempos e os hábitos ficam mais sofisticados...

Hoje, em resposta ao pedido de um simples cafezinho o garçom devolve uma saraivada de perguntas tão ligeiras quanto embaraçosas:

__ Expresso, cappuccino, macchiato, latte, com chantilly, ristretto, curto, longo, pingado, carioca, breve, mocha etc., etc.?

Se ocorre de estar sem paciência para tão refinada escolha, cancele o pedido ou, então, seja prático dizendo:

Traga o que você quiser. Para mim tanto faz...

Edson Pinto
16/7/2019

307) PARA QUEM, COMO EU, GOSTA DE UM ABACAXI BEM DOCINHO...



Descrição em versos decassílabos que Caramuru, do árcade Frei Santa Rita Durão, faz ao de Rei de França quando descrevendo as frutas do Brasil (canto VII, estrofe XLIII, do poema épico sobre o descobrimento da Bahia, Caramuru):

"Das frutas do país a mais louvada
É o régio ananás, fruta tão boa,
Que a mesma natureza namorada
Quis como a rei cingi-la da coroa:
Tão grato cheiro dá, que uma talhada
Surpreende o olfato de qualquer pessoa;
Que a não ser do ananás distinto aviso,
Fragrância a cuidará do paraíso."

Edson Pinto
13/4/2019

15 de nov. de 2017

306) ANÕES DE JARDIM? SIM, ELES EXISTEM!




Confesso, prazerosamente, que gosto de mexer no jardim de casa. Às vezes sozinho. Normalmente, porém, com o suporte do polivalente Ivo, nosso caseiro, mais hábil, mais jovem, mais rápido e mais entendido na matéria que eu.

No pré-sono, não raro, devaneios me assolam: “Amanhã farei isso e aquilo no jardim”. Lembro-me do cantinho das flores que segue desprestigiado; do gramado com ervas daninhas insistentes. Lembro-me também daquela arvorezinha que agora começa a tomar corpo e já se faz merecedora de um escoramento; da premência de algumas podas, há muito, absolutamente necessárias; da manutenção de alguns canteiros. Planejo até mesmo rasteladas pontuais, pois, as gerais e o corte da grama, eu as deixo para o Ivo; Ufa! 

Para quem anda verdadeiramente procurando trabalho, o jardim - asseguro com absoluto conhecimento de causa - é um enorme demandante de mão de obra. Habilite-se, principalmente se você for do tipo meio filosofo, como eu. Aos benefícios próprios dos exercícios físicos tão comprovadamente eficazes para se mitigar os males da vida provecta, tem-se a oportunidade de uma satisfação de ordem espiritual. O trabalho com as mãos em direto contato com a natureza, magicamente, nos cria facilidades para reflexões metafísicas. 

Acreditam?

Pois saiba que a vida é como um jardim. Cada pequena intervenção do bem vai melhorando as suas condições de sobrevivência. É como a nossa própria vida. Cada ato útil praticado nos melhora a existência como um todo. O jardim fica mais viçoso, a vida também; as flores aparecem com mais frequência, atrai pássaros, borboletas, abelhas... Um jardim, tal qual a nossa própria vida, ao receber os cuidados essenciais resplandece e chama a atenção. Que bom, não?

O vizinho, transeunte eventual, passa, alheio - penso - ao requerido rigor do trabalho e dos cuidados dedicados à vida e ao jardim. Só tem a passiva percepção estética do que lhe salta aos olhos. Gentilmente me cumprimenta emendando questão objetiva sobre o segredo existente por detrás - na percepção dele - do meu bem cuidado vergel. Apoio-me no rastelo, dou um sorriso inocente e digo: “Vou te contar o segredo. Eu também só o descobri recentemente”:

Madrugada dessas, tendo perdido o sono, calhou-me ouvir sussurros que vinham deste jardim. Furtivamente fiquei atrás da cortina daquela janela (apontei a janela) e por uma fresta vi e ouvi o que ocorria neste espaço. Custei a acreditar, mas prossegui na espreita.  Eram sete anões que, com enorme agilidade, faziam todas as tarefas que o seu líder, entendi chamar-se Mestre, determinava: Limpe aquele canteiro ali, Feliz! Não durma Soneca, temos pressa! Atchim recolha as folhas! Zangado e Dunga cortem logo essa grama! Dengoso, regue as plantas! Agora vamos!  Recolham as ferramentas, pois ainda temos de fazer o jardim de Branca de Neve!

Assim é, pois, tanto a vida como o jardim... Às vezes real. Às vezes pura lenda. Tudo depende - é claro - do quanto nós nos damos conta - ou não - de que a vida e o jardim somos nós mesmos que fazemos. O resto é lenda...

 Pensem nisso!

Edson Pinto

Novembro’ 2017

20 de ago. de 2017

305) TUDO FLUI COMO UM RIO


Heráclito de Éfeso, filósofo grego, (535 a.C. – 475 a.C.) foi quem disse: “Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio”.

Faz sentido?

Sim, faz! Principalmente se considerarmos que a água que flui e faz o rio no exato momento em que nele nos adentramos não será a mesma nos momentos seguintes, nem também seria a mesma dos momentos anteriores. Ela flui para seu destino e é renovada, substituída permanentemente.

Já percebeu que a vida também é assim?

Cada momento se faz diferente. As oportunidades surgem e desaparecem à medida que também ficamos menos iguais ao que éramos. A Biologia nos ensina que renovamos nossas células com razoável frequência. Enquanto os neurônios nos acompanham por toda a vida, as hemácias se renovam a cada quatro meses. Outras, em tempos ainda menores. De qualquer forma, tal qual o rio, não somos hoje exatamente o que éramos há meses, nem seremos iguais nos seguintes.

O que quero dizer com isso?

Tudo muda à medida que nossas vidas caminham para o fim. É inexorável que isso aconteça. Nem o rio, nem nós, somos mais os mesmos. Felizes aqueles que mesmo mudando conseguem uma existência longeva, produtiva, alegre e com saúde. Quem envelhece desta forma não pensa em outra coisa a não ser como tirar de sua própria vida o máximo do melhor que ela pode lhe dar.

Como nunca saberemos exatamente como é e o que nos reserva o misterioso “lado de lá”, só nos resta filosofar sobre a própria condição humana. Se nós temos consciência de que a vida é bela, boa, instigante e real, por que não nos permitir colocar ao menos um pé na água agradável desse rio que flui ininterruptamente?

Existem pessoas que, ainda com muito tempo de vida pela frente, podem ser colhidas por doenças incapacitantes ou impedimentos de natureza diversa que as privem de gozar as mesmas prerrogativas dos idosos saudáveis e bem resolvidos. Infelizmente, a vida não é igual para todos.

É de se compadecer, contudo e por essa razão, daqueles que, mesmo aquinhoados com essas vantagens, se entregam a mais triste das atitudes que é a da renúncia ao sagrado direito de gozo pleno da fase derradeira da sua merecida e bem sucedida jornada que celeremente se aproxima do fim.

Dói ver semelhantes, saudáveis física e mentalmente, a vegetar enquanto aguardam - como disse Raul Seixas em sua celebre canção Ouro de Tolo - “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”...

Agora, se - sem que se esperasse - a vida lhe desse de presente alguns recursos extraordinários e te encontrasse com saúde boa, filhos bem encaminhados, boa intuição para controle das finanças pessoais, gosto por ser dono do próprio nariz e achando que vale muito a pena manter sua independência moral, emocional e financeira, o que faria?

Não sei da vida de cada um, mas, no meu caso, colocaria logo, não um, e sim os dois pés no rio que ora flui. Afinal, minha alegria de viver depende da preservação da minha independência para praticar os atos que quiser, quando quiser, como quiser, até quando Deus quiser...

Podemos mudar e envelhecer, mas não necessariamente perder o domínio do próprio destino. Cada momento da vida é diferente, apresentam-se desafios e obstáculos novos, mas também oferecerem-nos oportunidades que nem imaginávamos.

É pra pensar!

 “Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio”.

Edson Pinto

Agosto’ 2017

27 de mai. de 2016

304) SEGMENTO MAL-ACOSTUMADO


Não faz meu gênero recorrer ao saudosismo para subsidiar pontos de vista pessoais. Sei que não é fácil, mas pratico um esforço consciente para adaptar-me aos novos tempos, às circunstâncias do momento e também à realidade.  A vida é como uma corrida de obstáculos que devem ser superados para se chegar bem ao final.

Muitos, como eu, são do tempo em que a escola pública, além de ser a principal opção para a formação educacional, era também a que apresentava a melhor qualidade de ensino. Adentrávamos a ela aos sete anos de idade e isso não significava atraso de vida. Boa parte da intelectualidade brasileira fez-se nesse padrão. Não me consta que Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, José de Alencar e outros tantos de áreas variadas do conhecimento humano precisaram de Maternal, de Jardim de Infância e de outras facilidades para se tornarem os grandes intelectuais que foram em vida. Ao final do primeiro ano da escola, já se dava boa conta das letras e dos números. Hoje, – até pelas circunstâncias da vida moderna – nossos bebês já vão para as creches, para os ciclos infantis e para a pré-escola. Nada contra! Os tempos são outros. Os pais trabalham fora de casa e assim há de se ter alguém para cuidar dos rebentos. Se isso é bom ou não, confesso-me incompetente aqui para opinar de forma colaborativa.

O que guardo na mente é que saíamos de casa com nossas lancheiras (na minha terra chamava-se merendeiras) preparadas pela mãe. As escolas davam professores competentes e ambientes adequados para o ensino. A questão da alimentação, porém, era assumida pelos pais.  Havia certo consenso de que cada um fazia a sua parte: pagamos impostos que serviam para custear as escolas; os professores ensinavam; e os pais, além de acompanhar o desenvolvimento dos filhos, também os alimentavam. A eventual compra de nova lancheira era o ponto alto da temporada preparatória para o retorno às aulas. Ali, seria colocado o lanche preparado com carinho pela mamãe. Mesmo para os mais pobres havia sempre uma maneira de se garantir a alimentação básica na própria escola. Em ambientes de pobreza, isso sim era e ainda é uma obrigação do governo, pois não se obtém sucesso no ensino deixando crianças de barriga vazia.  

Passou o tempo e ficamos mais e mais dependentes do Leviatã. Um segmento considerável da população tomou gosto pelo populismo de governantes recentes.  Se não tem casa, há um organismo ao qual se recorrer, o MTST. O governo tem planos mirabolantes para construir casas e entregá-las a custos subsidiados. Não tem terra? Há o MST que vai dar uma gleba que você usará ou não. Pode até vendê-la, pois não há controle efetivo sobre isso. Quer estudar no exterior, legal! O governo vai colocar nossos jovens no programa Ciências sem Fronteiras. Vão passar uns tempos em um país do primeiro mundo e depois, voltam, ou não, para aplicar seus conhecimentos. Também não tem controle rígido sobre isso.

Quer fazer uma peça de teatro, um filme, uma turnê de shows, lançar um DVD? Isso não é problema. Tem a Lei Rouanet que dá um jeitinho ao jorrar milhões na sua produção através de mecanismos de renúncia na arrecadação do Imposto de Renda. Continua pobrezinho e não é bem chegado ao trabalho? Também não é problema. Que tal um Bolsa Família, um Minha Casa Minha Vida, um Minha Casa Melhor para comprar móveis e eletrodomésticos? Não conseguiu entrar na Faculdade Pública que somente em poucos países, como no Brasil, é de graça? Não se preocupe, pois o tal o PROUNI financiará, a juros subsidiados, os seus estudos, tanto faz se você realmente precisa dessa ajuda ou se você é rico, porém bem apadrinhado?

Embora pudesse listar bem mais benesses populistas que objetivam a conquista de votos nas eleições, ficarei com apenas mais uma: Quer uma escola grátis para a sua formação técnico/profissional?  O ente estadual abre suas portas sem quaisquer custos para uma ETEC. Legal? Agora você estuda de graça, tem certamente maior chance de adentrar ao mercado de trabalho, mas se recusa a ir às aulas porque a escola não dá a refeição na qualidade que você exige. Aí você se junta à meia dúzia de filhinhos de papai invade escolas, o poder legislativo e bate o pé: Sem comida, nada feito, não estudo! É claro que se a razão do movimento for a sabida malversação das verbas públicas (cancro da nossa atual realidade), tudo bem, o protesto não é só válido como até mesmo oportuno. Mas, – perdoem-me os amigos – o meu enfoque neste texto é sobre aspecto mais transcendente da mesma questão. Falo de ensinar a pescar ou dar o peixe, entende?

Vejam como a coisa funciona: O governo, para não perder esses votos faz mais essa e outras tantas concessões que se lhe pedirem. Para isso, aumenta os impostos. Aquele outro segmento da sociedade que sustenta o paraíso vai se enervando, enervando até que ocorre uma ruptura, mesmo porque, fazer cortesia com o chapéu dos outros é algo que um dia acaba. E isso não é o pior. Para mim, o que mais incomoda é o fato de estarmos construindo uma nação com um significativo segmento de pidões; uma nação de acomodados que acham que tudo tem que vir do governo. Nunca percebem que o governo não tem dinheiro próprio, não gera riqueza, e sim que o dinheiro que ele distribui, e geralmente distribui mal, vem dos impostos que tira em volume abusivamente crescente da sociedade.

Respeitada as devidas proporção e condicionalidade, é como se os pais criassem mal seus filhos não lhes dando desafios e sacrifícios ao oferecer-lhes, de graça e prontamente, tudo o que querem na vida. Filhos assim criados não gostam de trabalhar, odeiam receber “nãos” e sempre acham que deve existir alguém para atender-lhes os desejos. Só se constrói uma sociedade verdadeiramente justa quando os seus membros têm consciência de que é necessário dar o que têm de melhor, incluindo trabalho, criatividade, empenho e seriedade. Aos que, por razões justas e humanitárias, não são capazes de - temporária ou mesmo definitivamente - contribuírem, aí, sim, a sociedade, via seu governo e/ou ações não governamentais, há de criar os mecanismos necessários ao nobre ato da solidariedade. Essa ideia de ganhar tudo do governo é comunismo e, conforme amplamente provado, não funcionou, não funciona e jamais funcionará...

Edson Pinto                                                                                   

Maio’2016